De quantas horas precisei pra entender
que minhas pétalas não eram simétricas
e que meus miolos as vezes não ficam no lugar…
as vezes me visitam, me polinizam
enquanto compartilhamos da arte de viver
e contribuir com a existência uns dos outros.
Contribuir com a vivência alheia,
pelos olhos diretinhos pra alma…
pela pele e compartilhar o mesmo espaço no mundo,
e mãos, e usar da textura um ato de intimidade e cumplicidade.
De quantos dias precisei chorar
porque minhas pétalas murcharam depois da tempestade.
E eu não conseguia aproveitar a sede que era saciada.
Quantos dias doem aqui por me esconderem no jardim.
Quantos dias doem aqui por suportar os parasitas
Que começam até mesmo por mim,
Que me maltrata e me suga todas as energias,
que busco da água, da terra, do calor e do ar.
Além daqueles que tentavam me cortar da raiz de viver.
Quantos dias os amassados e as manchas me cobriam
Com folhas de papel.
Para que eu não pudesse aparecer.
Mas são os tempos do mistério que me mostrarão
A força de estar em mim.

Perfeito ♥️
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❤️
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